
Poema da dor
É como se eu pudesse me explicar,
Dizer o que sinto,
Falar do que sou...
Mas tudo se torna impossível,
Nessa imensa dor,
Sem sentido algum,
Desfaço-me em lágrimas,
Incessantes lágrimas de amor..
Sou eu,
Poeira do vento sem destino,
Mar em revolta em cínica calmaria...
Eu que nem sou o que imaginei,
E nem direcionei o que pude ter,
Em devaneios intolerantes...
Eu que fui mágico e covarde,
Que sangrei cada emoção...
Lógico eu não sou,
Tão pouco coerente...
Vou apenas,
Sigo o mesmo caminho,
Sempre em desalinho constante...
Quero a vida e a morte,
Quero o dilúvio e a calmaria,
Quero tudo porque nada tenho,
Nada sou...
Nem esperar me vale mais,
Chegou a velhice...
Chegou o cansaço,
Chegou o desânimo de mim,
Quem poderia imaginar,
Fosse tão cedo essa descrença!
Se ao menos eu pudesse refletir,
Ainda...
Mas nem para isso tenho tempo,
Pois ele rema contra mim,
Desatina-me e me expõe,
Coloca-me de lado,
Condena-me...
E os meus olhos se ferem,
Entre carquilhas infantis...
Sinceramente queria morrer em silêncio,
Ao som da Ave Maria,
Sem pretensões de grandes enterros...
Mas ao som da Ave Maria!
Embora saiba que possa não merecer,
Peço a misericórdia de Deus,
Mesmo ao morrer
Uma gota de amor,
Imploro um alento,
Uma dádiva,
Algo que possa dizer,
Que não foi inútil tanta dor!
CARLOS JOSÉ SOARES – EM 11/10/09 – 09:19
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